iPhone Designer Defende Controles Físicos em Carros

18

Sir Jony Ive, ex-diretor de design da Apple e agora chefe da LoveFrom, acredita que telas sensíveis ao toque são uma má escolha para controles primários de carros. Apesar de liderar o design do iPhone, dispositivo que popularizou as interfaces touchscreen, Ive argumenta que essa tecnologia não se adapta bem ao uso automotivo. Sua empresa está colaborando com a Ferrari no interior de seu novo modelo elétrico Luce, que apresenta botões, mostradores e botões físicos ao lado de uma tela sensível ao toque.

O problema com telas sensíveis ao toque em veículos

Ive enfatiza que as telas sensíveis ao toque exigem que os motoristas desviem sua atenção da estrada. Ele explica que o propósito original da tecnologia touch era criar uma interface versátil para dispositivos móveis onde o usuário pudesse alternar entre tarefas. Aplicar isto aos automóveis, no entanto, introduz riscos desnecessários.

“Eu nunca teria usado o toque em um carro [para os controles principais]. É algo que eu nunca teria sonhado em fazer porque exige que você olhe [para longe da estrada].”

Este sentimento marca uma mudança significativa nas tendências de design automotivo. Ao longo da última década, os fabricantes de automóveis, incluindo Tesla, Ford e inúmeras marcas chinesas, adotaram interiores minimalistas dominados por grandes ecrãs táteis. Alguns até eliminaram totalmente os botões físicos, movendo funções como seleção de marcha e controle de temperatura para a tela.

Moda vs. Funcionalidade

Ive atribui o surgimento de interiores de carros com telas sensíveis ao toque às tendências da moda, e não ao design prático. As empresas perseguiram a tecnologia “mais recente”, resultando em telas cada vez maiores e mais dominantes. A tendência tornou-se tão difundida que mesmo marcas estabelecidas como a Mazda adoptaram grandes ecrãs tácteis para funções tradicionalmente físicas.

Um retorno aos controles físicos?

Luce da Ferrari é um contraexemplo, priorizando feedback tátil e operação intuitiva. O interior foi projetado com interruptores físicos distintamente diferentes para minimizar a distração do motorista.

Outros fabricantes também estão reconsiderando esta abordagem. O 2025 Concept C da Audi apresenta “tecnologia tímida”, incluindo uma tela dobrável de infoentretenimento, e está reintroduzindo interruptores físicos em alguns veículos. Isso sugere uma tendência mais ampla do setor de priorizar a usabilidade e a segurança em vez da modernidade percebida das interfaces totalmente sensíveis ao toque.

Em última análise, o debate centra-se em saber se os ecrãs servem para agilizar a experiência de condução ou complicá-la desnecessariamente. O retorno aos controles físicos por parte de algumas montadoras sugere que a funcionalidade e a atenção do motorista podem superar o apelo estético dos interiores minimalistas dominados pelas telas.